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Mais notas de um velho safado: Textos esparsos



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Sinopse

"–Sabia – ele disse –, o LSD já botou um monte
de gente no manicômio: dano cerebral.
– Tudo bota gente no manicômio.
– Como assim?
– O pânico do dano cerebral por LSD é provavelmente um exagero, em termos de proporção.
– Não, os principais médicos, laboratórios e hospitais
é que dizem isso.
– Ok. [...]
– Você defende o LSD?
– Eu não uso.
– Não acha que é uma moda passageira?
– Nada que seja contra a lei jamais deixa de existir.
– Como assim?
– Esquece.
– O que você acha dos hippies?
– Não me fazem mal.
– O cabelo deles fede – ele disse. – Não tomam banho. Não trabalham.
– Eu também não gosto de trabalhar. [...]
Recaiu sobre nós a paz do silêncio. Então ele disse:
– Você não é hippie, certo?
– Eu tô trabalhando, porra. E te disse que tenho 47 anos.
– A barba não significa nada então, ou significa?
– Claro que sim. Significa que, no momento, me sinto melhor com barba do que sem. Talvez semana que vem isso mude.

(Trecho do livro)


“Imperdível – leiam e chorem.”
Tom Waits

Depois de anos trabalhando na obscuridade, Charles Bukowski (1920-1994) alcançou a fama repentinamente em 1967, com uma coluna de jornal chamada “Notas de um velho safado” – da qual uma coletânea foi lançada dois anos depois. Ele continuou escrevendo a coluna até meados da década de 1980.
Mais notas de um velho safado, até hoje inédito no Brasil, reúne joias dos vinte anos dessa colaboração. Extraídas de publicações underground efêmeras, estes textos e ensaios curtos são uma valiosa adição à obra de Bukowski. Repleto de suas obsessões habituais – sexo, bebida, jogos de azar, críticas irônicas ao estilo de vida americano –, este livro apresenta as percepções peculiares de Bukowski sobre política e literatura, seus relacionamentos conturbados com mulheres e suas incursões pelo circuito de recitais de poesia.
Com seleção e posfácio do especialista David Stephen Calonne, o livro às vezes parece uma maldisfarçada autobiografia, às vezes apresenta contos puramente ficcionais tendo como protagonistas personagens suburbanos disfuncionais e em desgraça. Traz também uma longa e hilária aventura entre cineastas franceses, baseada em sua experiência durante a produção do filme Barfly. Desde seus dias como funcionário dos correios até a fama literária, Mais notas acompanha toda a trajetória da carreira multifacetada do velho Buk.

Os Editores

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Metadados adicionados: 23/02/2026
Última alteração: 27/02/2026
Última alteração de preço: 23/02/2026

Autores e Biografia

Bukowski, Charles (Autor) - "Charles Bukowski Nasceu em Andernach, na Alemanha, a 16 de agosto de 1920, filho de um soldado americano e de uma jovem alemã. Aos três anos de idade, foi levado aos Estados Unidos pelos pais. Criou-se em meio à pobreza de Los Angeles, cidade onde morou por cinqüenta anos, escrevendo e embriagando-se. Publicou seu primeiro conto em 1944, aos 24 anos de idade. Só aos 35 anos é que começou a publicar poesias. Foi internado diversas vezes com crises de hemorragia e outras disfunções geradas pelo abuso do álcool e do cigarro. Durante a vida, ganhou certa notoriedade com contos publicados pelos jornais alternativos Open City e Nola Express, mas precisou buscar outros meios de sustento: trabalhou 14 anos nos Correios. Casou, se separou e teve uma filha. É considerado o último escritor “maldito” da literatura norte-americana, uma espécie de autor beat honorário, embora nunca tenha se associado com outros representantes beat, como Jack Kerouac e Allen Ginsberg. Sua literatura é de caráter extremamente autobiográfico, e nela abundam temas e personagens marginais, como prostitutas, sexo, alcoolismo, ressacas, corridas de cavalos, pessoas miseráveis e experiências escatoló­gicas. De estilo extremamente livre e imediatista, na obra de Bukowski não transparecem demasiadas preocupações estruturais. Dotado de um senso de humor ferino, auto-irônico e cáustico, ele foi comparado a Henry Miller, Louis-Ferdinand Céline e Ernest Hemingway. Ao longo de sua vida, publicou mais de 45 livros de poesia e prosa. São seis os seus romances: Cartas na rua (1971), Factótum (1975 – L&PM POCKET, 2007), Mulheres (1978), Misto-quente (1982 – L&PM POCKET, 2006), Hollywood (1989 – L&PM POCKET, 2000) e Pulp (1994, L&PM Editores, 1995). Bukowski publicou em vida oito livros de contos e histórias: Ereções, ejaculações e exibicionismos (1972) – que no Brasil foi publicado em dois volumes, Crônica de um amor louco e Fabulário geral do delírio cotidiano (L&PM POCKET, 2006) – , South of No North: Stories of Buried Life (1973), Tales of Ordinary Madness (1983), Hot Water Music (1983), Bring Me Your Love (1983), Numa fria (1983), There’s No Business (1984) e Septuagenarian Stew (1990). Seus livros de poesias são mais de trinta, entre os quais Flower, Fist and Bestial Wail (1960), You Get So Alone at Times that It Just Makes Sense (1996), sendo que a maioria permanece inédita no Brasil. Várias antologias, além de livros de poemas, cartas e histórias foram publicados postumamente, como O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio (L&PM Editores, 1998 / L&PM POCKET 2001), com ilustrações de Robert Crumb. Este livro é uma espécie de diário comentado dos últimos anos de vida do autor. Bukowski morreu de pneumonia, decorrente de um tratamento de leucemia, na cidade de San Pedro, Califórnia, no dia 9 de março de 1994, aos 73 anos de idade, pouco depois de terminar Pulp." ; Calonne, David Stephen (Organizador) , Breunig, Rodrigo (Tradutor) , Machado, Ivan Pinheiro (Capista)

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