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Livro Impresso

Minha vó ri



Ativismo Lésbico, Homossexualidade, memória


Sinopse

A partir de uma cena familiar, o riso inesperado de uma avó diante da revelação da neta, a dramaturgia de Minha vó ri é tecida, como primeiro texto escrito pela atriz Julia Bernat. Uma obra que articula memória pessoal, investigação histórica e reflexão política para construir uma narrativa que atravessa gerações e identidades.

Entre o relato autobiográfico e a palestra-performance, Minha vó ri costura episódios familiares com uma pesquisa sobre o ativismo lésbico no Brasil e no mundo. Ao trazer figuras como Rosely Roth e Chantal Akerman, Julia amplia sua experiência individual, conectando-a a uma linhagem de mulheres que enfrentaram o apagamento, o não pertencimento e a violência simbólica.

As figuras das avós conduzem a narrativa por aquilo que é herdado, silenciado ou reinventado ao longo do tempo. É nesse espaço de tensão entre passado e presente que a autora investiga sua própria trajetória como mulher lésbica e judia, confrontando tradições, afetos e rupturas. Com uma escrita sensível e direta, o livro transforma a experiência do espetáculo em leitura, preservando a potência das cenas e convidando o leitor a percorrer, no seu próprio ritmo, essa travessia entre intimidade e história.

Trechos

Trecho 1:
Não sei. Não posso afirmar nada. Só posso observar a quantidade de mulheres lésbicas e bissexuais que se suicidaram: Rosely, Chantal, Gloria Cameron, Ana Cristina César, Virginia Woolf, Cassandra Rios, Rosemary Manning, Qiu Miaojin, Claudia Scott, Salua, Ellen Joice Loo, Dora Carrington, Karol Eller, Alana Chen, Denice Denton, Sarah Hegazi, Lizzie Lowe...”

Trecho 2:
“Eu tentei contar pra minha vó Sultana que eu era sapatão. Mas não deu certo. Meus pais diziam: ‘Deixa ela, na idade dela, ela não vai entender, não vale a pena’. E eu ficava revoltada, tipo ‘É quem eu sou. É muito triste não poder compartilhar isso com ela’.

Trecho 3:
‘Vó, e se eu te disser que eu também tenho uma namorada?’. E ela me olhou muito sério, um olhar trágico, de um tabu que é quebrado. O mesmo olhar que eu senti dos poloneses, nas cidadezinhas onde meus avós nasceram. Pois bem, minha vó lançou esse olhar fulminante, e eu com o coração gelado, olhando de volta.

Silêncio.

Depois de uns 10 segundos, minha vó ri e me diz: ‘Você tá brincando, né minha filha?’. E eu: ‘Não, eu tô falando sério, vó’. E ela: ‘Não, você tá brincando’.
Silêncio.

‘É, é, tô brincando’ Minha vó ria e dizia: ‘Tá brincando, mesmo?’ e eu: ‘Não, tô falando sério, vó’. E ficamos nessa ida e vinda uns dois minutos. Até que entendi que era melhor dizer que sim, eu estava brincando.”

Metadado adicionado por Editora Cobogó em 19/05/2026

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Metadados adicionados: 19/05/2026
Última alteração: 19/05/2026

Autores e Biografia

Bernat, Julia (Autor) - Julia Bernat é atriz, dramaturga e pesquisadora, formada em Artes Cênicas pela UNIRIO, onde também concluiu o mestrado sob orientação da crítica Flora Süssekind. Atua no teatro, cinema e televisão desde 2008, com uma trajetória marcada por colaborações relevantes na cena contemporânea. Trabalhou com a diretora Christiane Jatahy em montagens como E se elas fossem para Moscou?, que lhe rendeu indicação ao Prêmio Shell de Melhor Atriz, além de integrar produções internacionais como Ithaque e Entre Chien et Loup, apresentadas em importantes festivais e teatros ao redor do mundo. Também esteve em cartaz com O julgamento, ao lado de Wagner Moura. No Brasil, colaborou com encenadores como Georgette Fadel, Ana Kfouri e Felipe Vidal. É integrante fundadora da companhia Teatro Voador Não Identificado, onde desenvolve trabalhos como atriz, diretora e dramaturga. Sua pesquisa artística investiga uma atuação que tensiona as fronteiras entre realidade e ficção. Minha vó ri é seu primeiro solo, no qual também assina a dramaturgia. ; Botelho, Lucas (Capista)

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