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Livro Impresso

A RAZÃO DOS ANIMAIS
Filosofia e História Natural no Século das Luzes



A razão dos animais, filosofia, história, natural, século, luzes, Relação humano-animal


Sinopse

Em meados do século XVIII, pareceu pertinente reabilitar uma velha tópica do ceticismo: a razão dos animais. Hume foi, sem dúvida, o primeiro a perceber que essa tópica merecia ser integrada à filosofia, não como recurso de argumentação para questionar a razão humana, mas sistematicamente, para mostrar qual a natureza dessa faculdade.

Para os filósofos racionalistas, herdeiros da tradição cristã, a razão é uma prerrogativa humana concedida pelo Criador. Hume se insurge contra essa ideia e mostra que a razão é animal antes de ser humana.

Ora, se os homens pensam diferente de outros animais, é porque suas necessidades e prazeres, determinados pela fisiologia de sua espécie, são eles também específicos. Assim, a razão é um instinto, inscrito na "economia animal". A força desse argumento não demorou a ser percebida, e logo a razão animal se tornará uma questão obrigatória em toda discussão filosófica merecedora deste nome, aparecendo também na história natural.

O livro de Dario Galvão que o leitor brasileiro tem em mãos, dedicado a esta questão, é daqueles que nos dão motivos para renovar nosso otimismo com a filosofia. Erudito e profundo, nem por isso é difícil. Muito ao contrário, o texto nos engaja a ponto de, por vezes, nos encantar, transportando-nos para um mundo em que a discussão teórica ocorre em atmosfera de liberdade e inventividade.

Costuma-se associar o Século das Luzes a uma suposta "idade da razão". Dario Galvão nos convida a revisar esse lugar-comum, explorando tudo o que essa expressão tem de impensado.

O estudo tem ainda um outro mérito. Não é sentencioso e evita cuidadosamente a condescendência para com autores geniais, que não escreveram para a nossa época, mas que, talvez, tenham se adiantado a ela, vislumbrando soluções interessantes para impasses que nos afligem.

Pedro Paulo Pimenta
Universidade de São Paulo

Metadado adicionado por Alameda Editorial em 21/07/2026

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Metadados adicionados: 21/07/2026
Última alteração: 21/07/2026

Autores e Biografia

Galvão, Dario (Autor) - Dario Galvão é doutor em Filosofia pela Univ. Paris 1 Panthéon-Sorbonne e pela USP, com pós-doutorado na Univ. de Namur, e dedica sua pesquisa às relações entre filosofia e história natural no século XVIII.

Sumário

Sumário

Apresentação ............................................................................. 09

Introdução ............................................................................... 15

PARTE I. FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS E EPISTEMOLÓGICOS .......... 33
Capítulo 1. O animal na ciência do homem de David Hume ............ 35
Animal e imaginação na origem da sociedade .................................. 40
Diferença de grau entre homem e animal ......................................... 51
Analogia entre homem e animal e sua função metodológica ............. 59
Razão e instinto .............................................................................. 69
Animal e conhecimento: Locke e Hume .......................................... 79
O animal e as paixões ..................................................................... 91
Capítulo 2. O animal na teoria do conhecimento de Condillac ..... 105
Por que o animal? Sobre a boa e a má metafísica .......................... 109
Crítica do instinto: refundar e universalizar o empirismo ............... 117
Conhecimento e linguagem nos animais ....................................... 131
Revalorização filosófica do animal: do Ensaio ao Tratado dos animais ......................................................................................... 139
Perfectibilidade animal: Condillac contra Rousseau e Monboddo .. 150
PARTE II. DESDOBRAMENTOS NA HISTÓRIA NATURAL ................. 163
Capítulo 3. Inteligência animal e império humano na história natural de Buffon ............................................................................. 165
Homem, um animal imperial ......................................................... 170
O animal-máquina em Buffon ....................................................... 182
Esfumaçamento da fronteira homem-animal ................................ 198
Sensibilidade e inteligência nos animais domésticos e selvagens .... 214
Capítulo 4. Filosofia, história natural e caça na etologia de Le Roy ............................................................................................... 233
Novo campo de estudos ............................................................... 237
Saber do caçador .......................................................................... 249
Linguagem animal articulada ......................................................... 260
Transmissão geracional dos hábitos adquiridos ............................. 266

Conclusão ................................................................................. 279

Sobre este livro ......................................................................... 283

Bibliografia ............................................................................... 285



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