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Refúgio do tempo



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Sinopse

Vencedor do International Booker Prize 2023, o autor búlgaro Gueorgui Gospodinov constrói em Refúgio do tempo uma mistura de ficção com história e crítica social, abordando como o passado pode ser tanto um consolo quanto uma armadilha, especialmente em tempos de incerteza.

Neste romance carregado de nostalgia e de trabalho sobre a memória, não desprovido de humor mordaz, o autor mergulha em diversos passados: o do socialismo caricato do Leste europeu, a transição desenfreada para a economia de mercado e suas múltiplas miragens, além das novas ilusões ora alegremente vendidas.
O protagonista Gaustin, alter ego desdobrado do autor, é um enigmático viajante do tempo que monta uma “clínica do passado”, oferecendo um tratamento contra a doença de Alzheimer por meio da reconstrução minuciosa de ambientes de outras épocas, permitindo que os pacientes se localizem novamente em suas próprias memórias.
A princípio criado apenas para tratar pessoas com Alzheimer, o projeto se expande, atraindo um número crescente de pessoas saudáveis e até mesmo estrangeiros em uma Europa em crise que, movidos pela nostalgia, procuram um “refúgio temporal” na esperança de escapar das mazelas da vida moderna. As coisas saem do controle quando o passado passa a invadir o presente. O desenlace da obra é notavelmente premonitório sobre os tempos que nos assolam.
Com uma escrita que combina ironia, melancolia e pensamento crítico, Gospodinov se consolida como um dos autores indispensáveis de nossa época e uma voz importante na literatura internacional. Em Refúgio do tempo, ele nos faz pensar que nem sempre se lembrar de algo é o tratamento indicado; muitas vezes, o esquecimento torna-se terapeuticamente necessário.
A publicação da obra no Brasil é organizada com o apoio financeiro do Fundo Nacional de Cultura da Bulgária.

Metadado adicionado por Editora Estação Liberdade em 23/03/2026

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Metadados adicionados: 23/03/2026
Última alteração: 22/04/2026

Autores e Biografia

Gospodinov, Gueorgui (Autor) - nascido em 1968 na pequena cidade de Yambol, Bulgária, é tido como um dos mais importantes escritores europeus contemporâneos. Poeta, romancista, ensaísta e dramaturgo, tornou-se uma das vozes mais emblemáticas da literatura do Leste Europeu desde a dissolução do bloco soviético. Formou-se em Filologia Búlgara pela Universidade de Sófia e finalizou o doutorado em Nova Literatura Búlgara pelo Instituto de Literatura da Academia de Ciências da Bulgária. Teve sua estreia no universo literário com a obra de poesias Lapidarium (1992), e posteriormente publicou A cerejeira de uma pessoa só (1996), pelo qual recebeu o prêmio de Melhor Livro do Ano pela Bulgarian Writers’ Union. Gospodinov, entretanto, tornou-se mais conhecido internacionalmente após a publicação de Romance natural (1999), seu primeiro romance, que traz reflexões sobre o absurdo da vida cotidiana na Bulgária pós-socialista e é marcado por uma estrutura experimental que mescla autobiografia, ensaio e ficção. Seu segundo romance, A física da saudade (2012), obteve uma repercussão ainda maior. Escrito em resposta a um artigo do The Economist de 2010 que se referia à Bulgária como “o lugar mais triste do mundo”, o romance pondera sobre o modo como a saudade — a do seu protagonista e a do seu país — pode ser vivenciada, acolhida e servir de impulsionadora à construção de um mundo mais empático. Em 2019, o livro foi adaptado para um curta de animação por Theodore Ushev. Ainda em ascensão, Gospodinov publica Refúgio do tempo (2020), sendo vertido ao inglês como Time Shelter em 2022 se tornando, em 2023, o primeiro livro escrito em búlgaro a vencer o International Booker Prize. O romance retrata uma “clínica do passado” que oferece um tratamento promissor para pacientes com Alzheimer: cada andar reproduz uma década em detalhes minuciosos, transportando os pacientes de volta no tempo. Em seu último livro, A morte do jardineiro (2024), Gospodinov explora questões de morte e luto, inspiradas pela experiência que teve com o próprio pai. Além de romances, contos e peças de teatro, Gospodinov teve participação em dois curtas-metragens, entre os quais Omelette (2009), que recebeu uma Menção Honrosa no Festival de Cinema de Sundance. Sua graphic novel A mosca eterna foi a primeira do gênero lançada na Bulgária e seu conto Vaysha Cego foi adaptado para um curta-metragem de animação que foi indicado ao Oscar em 2017. ; Mincheva, Milena M. (Tradutor)

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